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Os benefícios do futebol para as crianças: da cooperação ao pratinho

Os benefícios do futebol para as crianças: da cooperação ao pratinho

O futebol pode trazer muitos benefícios para o desenvolvimento e para o apetite da criançada. Confira a entrevista com o professor de Ciências do Esporte na UNICAMP, Alcides Scaglia.

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Equipe Gourmet Jr.
jun/2018

Livre Brincar Futebol Clube

Para o professos Alcides Scaglia, o melhor estímulo que podemos dar aos nossos filhos para praticarem atividades físicas é deixá-los brincar livremente, desenvolvendo jogos espontâneos. Com o futebol não é diferente, é no jogo com os amigos que eles vão desenvolvendo as habilidades motoras e sociais que servem para o esporte e também para a vida. Para Alcides, todo mundo pode aprender a jogar futebol e a pratica esportiva pode ajudar na formação de seres humanos sadios em todos os aspectos. Confira a entrevista!

Quais são os possíveis benefícios da prática do futebol para as crianças?

Os benefícios são muitos e de diversas naturezas: motora, cognitiva, afetiva, social, moral, ética, estética, entre outras. Mas o esporte, no caso o futebol, precisa ser ensinado por um professor com formação boa e atualizada e com uma metodologia adequada, respaldada por princípios desenvolvidos pelo pesquisador e professor João Batista Freire que são: ensinar futebol a todos (de forma inclusiva), ensinar bem futebol a todos (ter competência pedagógica), ensinar mais que futebol (trabalhando também a questão da ética), ensinar a gostar de esportes (trazendo a ideia do prazer e da qualidade de vida). O grande objetivo das novas tendências didático-metodológicas da pedagogia do esporte tem por mote a formação humanizante de um jogador inteligente de corpo inteiro.

Quais são as habilidades desenvolvidas durante o jogo de futebol?

As habilidades são recursos que adquirimos e aperfeiçoamos nas diferentes situações da vida. Ao ensinarmos futebol por meio de uma pedagogia renovada, oferecemos às crianças condições de desenvolver habilidades para o jogo e para a vida ao mesmo tempo, pois os conhecimentos do professor/treinador devem ajudar a levá-los a entender que podem e devem transferir suas responsabilidades e atitudes de aprendizagem.

Quais responsabilidades e atitudes podem ser transferidas para o dia-a-dia da criança?

Essas responsabilidades e atitudes vão desde o domínio (autocontrole) das emoções frente às exigências do jogo, quanto o aprender a cooperar e conviver com os outros para alcançar resultados comuns. Além do fato de entender que o adversário é seu principal parceiro de aprendizagem, pois sem um adversário à altura (ou seja, do seu nível) não há jogo nem aprendizagem. As crianças devem aprender que, no processo de ensino do futebol, eu mais jogo com os outros do que contra os outros.

No processo de ensino do futebol, eu mais jogo com os outros do que contra os outros.

 

A partir de qual idade elas poderiam iniciar no futebol?

Esta pergunta é um tanto complexa e impossível de ser respondida por completo sem escrever um livro. Mas, em síntese: não devemos mais pensar em idade para início, mas sim quais ações didático-metodológicas são mais adequadas a esta ou àquela idade. O futebol como um jogo coletivo, segundo teóricos do ensino (como Piaget, por exemplo) vai destacar a idade ideal como 6, 7 anos. Eles consideram que nessa idade as crianças estariam desenvolvidas cognitivamente (por estarem na fase operatório concreta) para aprender jogos de regras. Contudo uma metodologia adequada, com um professor com boa formação, gera ótimas possiblidades e potencialidades para desenvolver jogos que ampliem o repertório de possibilidades de respostas para jogos em crianças menores, ainda imersas em uma fase pré-operatória (2 a 7 anos), em que predomina o jogo de construção e o simbólico. Crianças nessa idade podem aprender a ampliar suas habilidades e competências em relação à bola e, aos poucos, sendo expostas aos problemas com outras crianças, entender também que a aprendizagem gera desenvolvimento, segundo outro importante teórico da psicologia, o destacado Lev Vigotski.

Qual a frequência ideal?

A frequência deve ser pensada assim: quanto mais, melhor. A aula especificamente pode acontecer duas vezes na semana, mas elas devem ser entendidas apenas com uma desencadeadora de desejos para que as crianças joguem (brinquem) de futebol em todos os lugares possíveis. Falo sempre para os meus alunos: “quem aprendeu a tocar violão indo apenas nas aulas?” É preciso ir a aula e depois praticar muito (treinar muito) para dominar o instrumento. O mesmo acontece com o futebol. As crianças não aprenderão a jogar se o pai achar que só indo duas vezes na semana, por uma hora, seu filho vai aprender a jogar, e, ainda por cima, incorporar os benefícios que destaquei anteriormente.

Toda criança que brinca muito sente fome.

 

O que os pais podem fazer para estimular a prática de esportes nos filhos?

Os pais precisam criar condições para que seus filhos tenham oportunidade de desenvolver mais jogos espontâneos, brincando com nosso rico universo lúdico, co-construindo sua cultura lúdica. Criança precisa de mais ambientes de jogos e não de mais aulas disso ou daquilo. Brincar espontaneamente dá muito prazer, é só lembrarmos um pouco de como foi a nossa infância.

Na sua experiência, você enxerga alguma relação entre a nutrição infantil e a prática de atividades físicas?

Sim, toda criança que brinca muito sente fome. O nosso maior problema é a imobilidade. Atualmente as crianças brincam muito, mas com jogos que têm mais exigências cognitivas (que obviamente também cansam) do que motoras. Mas pesquisas recentes do meu laboratório têm produzido evidências de que o que as crianças mais desejam são espaços para brincarem e interagirem com outras sem necessariamente estarem seguindo as ordens e o comando de um adulto. E esses espaços não são difíceis de serem construídos. Na verdade, só não existem devido ao fato de que pais e adultos (muito professores, infelizmente) acharem que devem controlar e determinar o que seria, na visão deles, melhor para seus filhos sem deixar que eles mesmos descubram. Não basta perguntar para o filho, tem de deixá-lo explorar. Isso não exclui a supervisão do pedagogo, mas novamente, com boa formação, ele saberá administrar os ambientes de jogo e aprendizagem. Tudo depende de boa formação do profissional!

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