Cardápio colorido

Com orientação adequada, os pais podem estimular as crianças a aceitarem uma variedade maior de alimentos, sem fazer cara feia!

Pratinho afetivo

Conversamos com a psicóloga sócio-diretora do Centro Paradigma de Ciências do Comportamento, Joana Singer, para entender como os pais podem ajudar os filhos a comerem uma maior variedade de alimentos:

GJr.: As crianças podem se tornar cada vez mais seletivas em relação a alimentação?

Joana Singer: A restrição alimentar que vai se formando aos poucos, quando a criança se torna cada vez mais seletiva, é conhecida como seletividade secundária. É comum nesses casos ver crianças que antes “comiam de tudo” ou comiam vários grupos de alimentos, passarem a negar os pratos como se nunca tivessem gostado deles. Essa restrição pode se dar por sabores (salgado, doce, ácido, azedo ou amargo), texturas (consistências), cores, cheiros e formatos. Em geral, esse quadro começa a aparecer por volta dos 2 anos, quando a alimentação infantil fica mais próxima da adulta.

GJr.: As ameaças dos pais como “se você não comer vai ficar fraco” ou “vai ficar de castigo”, podem influenciar negativamente nesse processo?

Joana Singer: Ameaças são sempre problemáticas. Elas aumentam a ansiedade, o que diminui a vontade de comer. As punições também são ruins, porque os pais podem ameaçar com restrições, que às vezes, não conseguem sequer cumprir. E as crianças acabam por associar o alimento às punições.

GJr.: As recompensas como oferecer um chocolate depois do almoço se “comer tudo”, também são negativas?

Joana Singer: Oferecer um chocolate após a refeição só é problema quando isso se torna um hábito e a principal ferramenta. Assim como nós, “tudo bem” comer um doce após a refeição. Mas isso deve ser restrito a algumas situações especiais: primeiro para crianças com mais de 2 anos. Depois, aos finais de semana e aniversários e nunca todos os dias. Na verdade, oferecer frutas é sempre melhor e mais saudável.

GJr.: Que tipo de comportamento os pais devem ter ao notar a recusa de vários tipos de alimentos pelas crianças?

Joana Singer: É fundamental que os pais não insistam para que o filho coma no mesmo dia o alimento que acabou de ser recusado. O ideal é oferecer novamente, em outras ocasiões, aproveitando para testar formas diferentes de apresentação e de preparo. Quando a recusa é excessiva, é recomendável a procura por psicólogos e/ou nutricionistas especializados em seletividade alimentar, para montar uma programação de inserção dos alimentos.

GJr.: Quais atitudes os pais podem ter para ajudar os filhos nesse processo de aceitação dos alimentos?

Joana Singer: Os pais podem e devem estar atentos a algumas atitudes como:

  • Transformar a hora da refeição em um momento de afeto e conversas
  • Deixar que a criança ajude a elaborar o próprio prato
  • Incluir a criança na compra e preparo de alimentos
  • Utilização de “comidinhas de verdade”. Por exemplo: separar um pouquinho da cenoura para que a boneca possa comer

GJr.: Essa recusa por alimentos pode ser passada de pai para filho?

Joana Singer: Eu diria que o modelo dos pais pode ter um papel significativo: como os pais se relacionam com alimento? Como eles tratam o momento da refeição? Isso pode influenciar, ou não, na seletividade alimentar dos pequenos.

 

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